Resumos de palestras

Postado por: Alonso Torres Freire

O leitor 1

Mesa I – 14.12.2015 – Variações Literárias

QUAL A PROFISSÃO DO PROFESSOR NA LITERATURA?
Rosana Cristina Zanelatto Santos (UFMS/CNPq/FUNDECT)
Em geral, quando o tema de uma pesquisa é a representação do professor na literatura brasileira, o foco é o sujeito tomado a partir de uma perspectiva meramente educacional e inserido em meio às contradições, também educacionais, de um País com um pé ainda no passado, rumo ad aeternum ao futuro e envolto nas adversidades insolúveis do presente. Há, por outro lado, uma visada crítica menos desenvolvida, que é a das metamorfoses do professor em um mundo patético, o que lhe torna a existência trágica, guiada por padrões orientados, inicialmente, pela disciplina, pela repressão e pelo interditado, consubstanciando, no mais das vezes, um comportamento burocratizado desse sujeito. Se tanto se comemora e se engrandece a figura do professor como aquele a quem cabe educar a sociedade, ou seja, alimentá-la com o que há de mais saudável nos sentidos espiritual e intelectual, dando ao mundo / criando para o mundo sujeitos capazes de orientar e se orientar em meio a ele, por que a literatura é tão cruel com ele, oferecendo ao leitor personagens que se deixam tomar pelo autoritarismo, pela corrupção, pelo sofrimento, enfim, por afetos e desejos (in)confessos?

 

Palavras-chave: Literatura, Professor, Representação.

 

SOB O SIGNO DA DISCOTEQUE, DE PLÍNIO MARCOS: A CONFIGURAÇÃO DA SUBALTERNIDADE E DO GÊNERO FEMININO NA CENA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA

 

UNDER THE SIGNO DA DISCOTEQUE, DE PLÍNIO MARCOS: THE CONFIGURATION OF SUBALTERNITY AND GENDER FEMALE IN BRAZILIAN CONTEMPORARY SCENE

 

Wagner Corsino Enedino (UFMS/CPTL)

 

Ancorando-se nas contribuições de Magaldi (1998, 2004, 2008), Rosenfeld (1993) e Ryngaert (1996), acerca das noções que constituem o discurso teatral; nos estudos de Beverley (2004) e Spivak (2010) sobre o conceito de subalternidade e nos pressupostos teóricos de Lipovetsky (2000) sobre a configuração do gênero feminino, o objetivo deste trabalho é demonstrar a existência de invariantes que estruturam o projeto estético-social do dramaturgo Plínio Marcos na peça Signo da discoteque (1979). Por meio da análise e interpretação de contornos identitários, sociais, ideológicos e histórico-culturais delineados na obra será possível estabelecer relações entre as marcas discursivas emitidas pelas personagens e a ideologia do seu criador; observando as influências do meio em que vivem, assim como se abordam questões de gênero, identidade e representações sociais na produção teatral. Além disso, constata-se que ficam latentes as contradições entre o “poder” e o “não poder”; entre as aspirações e as frustrações individuais em decorrência da situação histórico-social das personas, uma vez que a subalternidade torna-se fator preponderante para a compreensão do estado de inadaptação dos protagonistas, instaurado pela sociedade do consumo numa condição pós-moderna.

 

Palavras-chave: Teatro brasileiro contemporâneo; subalternidade; gênero; personagem.

 

Mesa II – 15.12.2015 – Literatura e Ensino

A ÂNSIA DE ESPAÇO NA LITERATURA BRASILEIRA DO SÉCULO XIX

 

José Alonso Tôrres Freire (UFMS/NEHMS)

 

Tendo em vista que a história de uma literatura não consegue abarcar todos os fenômenos, ainda mais dispersos num país continental como o Brasil, este trabalho tem por objetivo deslocar o foco de análise para autores e obras relevantes, pelo menos, historicamente, que foram excluídos/ignorados e mereciam melhor leitura ou maior divulgação. Por outro lado, ao destacar obras pouco comentadas ou subestimadas pela historiografia da Literatura Brasileira, de acordo com a análise que se faz aqui, não se trata de valorizar esteticamente o que pode apresentar pouco valor estético. Trata-se, sim, de proporcionar visibilidade às obras que, em certos aspectos, como é o caso de Lourenço Amazonas e a visão que ele constrói do Indianismo, poderiam ter deslocado algumas de nossas certezas sobre a Literatura Brasileira ou iluminado melhor questões importantes que se colocam para a literatura do país, tais como a representação de negros e mulheres e a apropriação de espaços mais afastados dos cenários mais comuns, como veremos também em obras de Maria Firmina dos Reis e Rodolfo Teófilo. Importantes referências teóricas para este trabalho foram Antonio Candido, Benedict Anderson e Franco Moretti, entre vários outros.

 

Palavras-chave: ficção brasileira, Maria Firmina dos Reis, Rodolfo Teófilo, Lourenço Amazonas.

 

O USO DE MATERIAIS LITERÁRIOS NA AULA DE E/LE

Ana Karla Pereira de Miranda

ana.miranda@ufms.br

(UFMS/ PUC-Rio)

 

Nesta fala, vamos tratar a respeito de um tema que suscitou controvérsias no ensino de línguas estrangeiras: a pertinência do uso de materiais literários. Por materiais literários consideramos o conjunto de fragmentos textuais e de obras literárias utilizados para criar atividades. Vemos como positivo esse uso, visto que na aula de língua estrangeira é necessário fazer chegar ao aluno a língua real e uma das formas de realizá-lo é por meio da leitura de materiais literários. A literatura é uma manifestação do idioma tão válido e tão legítimo quanto qualquer outro. É um campo extenso e plural que recolhe todo tipo de mostras linguísticas, das mais “inacessíveis” até as mais cotidianas. Além de permitir o contato com a língua real, o trabalho com materiais literários possibilita ao aprendiz o contato com a cultura dos povos falantes da língua meta, desenvolvendo, dessa forma, a competência intercultural dos estudantes. Os parâmetros e orientações do governo brasileiro referentes ao ensino de língua estrangeira moderna propõem o trabalho com a leitura de diversos gêneros e o desenvolvimento de uma percepção intercultural no sujeito aprendiz. Também, destaca-se o fato de que as Orientações Curriculares para o Ensino Médio (conhecimentos de espanhol) apontam que é no contato com a cultura do outro que podemos perceber e entender melhor a nossa própria cultura. Considerando o exposto, nesta fala, abordaremos o uso de materiais literários na aula de língua estrangeira, mais especificamente, na aula de espanhol língua estrangeira (E/LE), justificando-o e demonstrando propostas didáticas . Para tanto, abordaremos o uso de materiais literários ao longo da história do ensino de línguas estrangeiras, exporemos razões que justificam o uso da literatura na aula de E/LE no contexto educacional brasileiro, trataremos dos critérios de seleção de materiais literários para a aula de E/LE e, por fim, apresentaremos algumas propostas didáticas para o ensino de E/LE que tem como base o uso da literatura.

 

Palavras-chave: Materiais literários. Língua estrangeira. Língua Espanhola.

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