Resumos de comunicações – sala 4 – Unidade I

Postado por: Alonso Torres Freire

leitor1

Dia 14.12 – Sala 4 – Unidade I – 16:ooh às 17:30h

A CRÍTICA PÓS-COLONIAL EM HÉLIO SEREJO

 

Adrielly Vilela (UFMS)

Edgar Cézar Nolasco (UFMS/NECC)

 

Nosso trabalho propõe fazer uma leitura com base nos conceitos da pós-colonialidade e da crítica biográfica pós-colonial a partir das obras do escritor sul-mato-grossense Hélio Serejo, que retratou o Estado de Mato Grosso do Sul, suas paisagens, povos e cultura. A fronteira e o crioulismo que perpassam a obra do escritor permitem uma leitura crítica a partir de seu bios. Por isso nos valeremos dos pressupostos conceituais das paisagens biográficas e das sensibilidades biográficas propostas por Edgar Cézar Nolasco nos livros Arte, cultura e literatura em Mato Grosso do Sul e Perto do coração selbage da crítica fronteriza, respectivamente, assim como do conceito de “fronteira” proposto pelo teórico pós-colonial/ocidental Walter Mignolo que dão base inicial para a nossa proposta.

 

Palavras-chave: Pós-colonialidade. Sensibilidades. Fronteira.

 

A INTERFERÊNCIA IDEOLÓGICA NO FAZER JURÍDICO: uma análise discursiva dos votos de juízes numa apelação de sentença.

 

Alexandre Luís Gonzaga – UFMS

Rita de Cássia A. Pacheco Limberti – UFGD

 

A ideologia funciona como um guia de modo a orientar o ser humano no seu agir diário, ou dentro de um conceito althusseriano, a ideologia interpela o homem como sujeito em uma formação ideológica, seja ela opressiva ou emancipatória e envolve processos de sujeição e qualificação. Neste estudo examinamos os votos de juízes-desembargadores em uma apelação de sentença. A Análise do Discurso francesa foi o dispositivo de análise utilizado para proceder ao estudo, apoiando-nos principalmente em Pechêux. Pretendemos explorar a ideologia sob um aspecto formativo do sujeito humano, pouco ou nada relacionando com processos de formação de personalidade, sendo a subjetividade abordada segundo suas marcas no texto e vista segundo uma formação discursiva específica com características próprias do meio jurídico. Procedeu-se a um estudo discursivo sobre a ideologia marxista e positivista no fazer jurídico Como base teórica, filosófica e jurídica apoiamo-nos em Marilena Chauí, Michel Foucault, Louis Althusser, Franco Montoro e Eduardo Lyra. Percebemos no texto jurídico que há embates de natureza ideológica refletidos nos enunciados dos juízes confirmando que o discurso jurídico pode ser visto como um marco que reflete o momento histórico e cumpre a função de reproduzir os valores morais vigentes na sociedade.

 

Palavras-chave: Ideologia. Análise do discurso. Subjetividade.

 

CAPITU E A MULHER DO SÉCULO XIX

Elenir Vilharva de LIMA (UFMS/CCHS/CAPES)

José Alonso Tôrres FREIRE (UFMS/CPAQ)

 

O presente estudo tem como ponto de partida investigar a personagem Capitu do romance Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, estabelecendo contrastes em relação às aspirações e à condição da mulher na sociedade brasileira da época. O romance da fase madura do autor nos apresenta uma mulher fascinante pela voz de seu marido, Bento Santiago, que atribui a ela uma suspeita de infidelidade. Capitu carrega consigo marcas e valores patriarcais impostos as mulheres do século XIX, mas também transgride esse código moral até certo ponto. Para tal pesquisa, contamos com o aporte teórico de: O Romantismo: a literatura brasileira (1969), de Antonio Soares Amora, Retratos de mulher: O cotidiano feminino no Brasil sob o olhar de viageiros do século XIX(1996) de Tânia Quintero, Histórias íntimas (2011) de Mary Lucy Murray Del Priore, entre outros. As questões femininas sempre incomodaram por gerarem polêmica “pela presença e pela não presença”. O feminino é o não masculino, porém não quer dizer que tenha que se opor a ele. Construída a partir da visão do narrador masculino, a personagem se sobressai a tudo isso principalmente pela grandeza de sua configuração. Partindo da análise da obra em questão, buscamos também identificar aspectos históricos e culturais da sociedade brasileira do século XIX, e valores sob os quais as mulheres reais estavam expostas. Esta pesquisa faz parte de uma dissertação em andamento, na qual se pretende elaborar uma comparação entre as personagens Capitu, de Dom Casmurro (1899), e Beatriz, de A audácia dessa mulher (1999), de Ana M. Machado, focalizando a análise das diferenças e semelhanças que proporcionam uma ampliação de sentido nas narrativas escolhidas.

Palavras-chave: Ficção brasileira. Capitu. Mulheres.

 

A FALSA CORTESIA NO DEBATE POLÍTICO TELEVISIVO

Ione Vier Dalinghaus (UFMS/CPAQ)

A cortesia linguística é conceituada como um conjunto de estratégias verbais de proteção e de valorização da imagem do interlocutor. O uso dessas estratégias regula a relação interpessoal e favorece a harmonia nas interações face a face. No entanto, em interações conflituosas como o debate político, os candidatos se utilizam de procedimentos corteses no intuito de mascarar ameaças à face do adversário ou para provocá-lo, tendo como verdadeiro propósito o cotejo da própria imagem e o voto do público telespectador. Trata-se da denominada cortesia aparente ou falsa cortesia que pode expor ao ridículo o candidato oponente e, dessa forma, promover um espetáculo midiático, no intuito de conquistar o apoio da audiência e promover a imagem do enunciador. Neste trabalho, pretendemos mostrar algumas das manifestações de cortesia aparente utilizadas pelos presidenciáveis Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT – Partido dos Trabalhadores – e Aécio Neves, candidato do PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira, durante o debate político televisivo realizado nos estúdios do SBT – Sistema Brasileiro de Televisão, no dia 16 de outubro de 2014. A análise completa dos procedimentos corteses e descorteses do referido programa televisivo integra nossa pesquisa de doutorado a ser defendida em 2016 e o recorte que apresentaremos está ancorado, especialmente, na teoria da cortesia de Brown & Levinson (1987), posteriormente ampliada por Kerbrat-Orecchioni (2006; 2014) e outros linguistas. Acredita-se, assim, que esta breve análise possa contribuir no sentido de instigar outros pesquisadores a novos estudos focados nas estratégias de cortesia/descortesia.

 Palavras-chave: Cortesia, Descortesia, Debate político.

 

Dia 15.12 – Sala 4 – Unidade I – 16:ooh às 17:30h

 

RUÍNAS E MODOS DE NARRAR EM A CABEÇA, DE VILELA E EM SETE CONTOS DE FÚRIA, DE VIEIRA

Marcos Rogério Heck DORNELES¹

Este trabalho se insere na área de concentração de “Estudos literários” e na linha de pesquisa de “Historiografia Literária: recepção e crítica”, e busca realizar uma pesquisa acerca das relações entre a oscilação dos modos de narrar (FRANCO JUNIOR, 2003; AGUIAR E SILVA, 1979) e a presença de aspectos do mundo e da modernidade tardia em ruínas (PERRONE-MOISÉS, 1988) nas obras A cabeça, de Luiz Vilela (2002), e Sete contos de fúria, de António Manuel Bracinha Vieira (2002). Principalmente, o exame de diferenças e de semelhanças desses dois escritores quanto aos procedimentos de construção narrativa e à recorrência dos escombros no tecido literário. Além disso, esta pesquisa aponta uma apreciação crítica e interpretativa dos intercâmbios da configuração literária com fatores extralinguísticos, em especial, contextos sociais; do levantamento sobre a recepção crítica; das intersecções tópicas entre literatura e filosofia, da interação entre sistemas literários e entre produção e recepção literária.

Palavras-chave: Literatura. Filosofia. Modos de narrar.

 

A CRÍTICA SOCIAL NA COMÉDIA “JUIZ DE PAZ NA ROÇA”, DE MARTINS PENA.

Renan Carvalho da Silva (UFMS/CPAQ – BOLSISTA IC/UFMS)

José Alonso Tôrres Freire (UFMS/CPAQ)

Esta pesquisa tem como objetivo analisar as críticas sociais realizadas por Martins Pena na comédia “Juiz de Paz da Roça”, tendo em vista que desde os princípios do teatro a comédia foi utilizada com o intuito de avaliar, por meio da sátira, as relações sociais e a atuação dos governos da época de produção. Para tanto, os suportes teóricos utilizados serão A personagem de ficção (1987), de Antonio Candido et al, Panorama do teatro brasileiro (1997), de Sábato Magaldi, Comédias de Martins Pena. Edição Crítica (s/d), de Darcy Damasceno, entre outros. Não há como não ligar Martins Pena a uma tradição que remonta a Aristófanes, comediógrafo grego, especialmente pelas críticas dirigidas à atuação das camadas dirigentes e àqueles que estão à frente das instituições. Um exemplo disso está na peça “Juiz de Paz da Roça”, no qual o juiz, aproveitando-se de sua posição, se beneficia dos moradores de um ambiente rural. Este trabalho faz parte de uma pesquisa mais ampla, no âmbito de Iniciação Científica, que visa analisar a apresentação e a atuação das personagens femininas em três comédias: a citada “Juiz de Paz da Roça”, além de “O Noviço” e “Quem Casa Quer Casa”.

Palavras-Chave: Martins Pena. Teatro Brasileiro. Crítica Social.

 

REPRESENTAÇÕES DA MULHER EM PERSONAGENS FEMININAS SECUNDÁRIAS DAS OBRAS A MORENINHA E SENHORA

Samara Pereira Souza de Lima (UFMS/CPAQ – Bolsista IC/UFMS)

Orientador: Dr. José Alonso Tôrres Freire (UFMS/CPAQ)

 

O presente trabalho objetiva analisar a construção de determinadas personagens femininas secundárias das obras A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, e Senhora, de José de Alencar, a fim de compará-las entre si para estabelecer relações ou contrastes com base nos anseios e costumes das mulheres reais da sociedade fluminense do século de XIX. Para tanto, são utilizados como suporte teórico a Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos (1993), de Antônio Candido, A literatura brasileira: O Romantismo (1967), de Antonio Soares Amora e Retratos de mulher: a brasileira vista por viageiros ingleses e norte-americanos durante o século XIX (1995), de Tania Quintaneiro, entre outros. Dessa forma, obtivemos como resultado a identificação de diversos aspectos da sociedade da época na configuração das personagens dos romances, além da constatação de um contraste entre as personagens femininas secundárias e as protagonistas das obras. Esta pesquisa faz parte de um projeto de Iniciação Científica, com o qual pretendeu-se elaborar uma comparação entre as personagens femininas de A moreninha e as personagens femininas do romance Senhora com o intuito de relacionar ficção literária e o contexto das mulheres do começo da segunda metade do século XIX.

Palavras-chave: Ficção brasileira. Século XIX. Mulheres.

 

O SENTIDO TRÁGICO DA EXISTÊNCIA NA OBRA NOITE NA TAVERNA DE ÁLVARES DE AZEVEDO: UMA RELEITURA A PARTIR DA FILOSOFIA DO TRÁGICO

Vera Lúcia Krastanov

A presente pesquisa tem como objetivo lançar uma luz sobre a relação entre o ultrarromantismo de Álvares de Azevedo e o idealismo romântico de Schelling no que diz respeito à interpretação ontológica da tragédia feita por Schelling e a narrativa de Johann na Noite na Taverna de Álvares de Azevedo. Não se pode deixar sem nota a proximidade da narrativa de Johann com a interpretação de Édipo rei de Schelling – ambos vitimados por uma culpa infligida pelo destino. Observa-se que a causa da desgraça em que os heróis trágicos caem não pode ser interpretada apenas como acaso, como ocorre nos postulados aristotélicos. Pelo contrário, a existência humana é necessariamente trágica e essa tragicidade deriva da liberdade. Em outras palavras, o homem é ontologicamente trágico, pois é o único ser dotado de liberdade. A aproximação pretendida aqui entre a ontologia do trágico de Schelling e a narrativa de Johann de Álvares de Azevedo é capaz de engendrar vários questionamentos entre os quais se destaca o seguinte: será que o poeta Álvares de Azevedo não concebeu os últimos dois capítulos, Johann e Último beijo de amor, em termos de conflito trágico e a sua reconciliação de modo semelhante ao Édipo rei, interpretado por Schelling?

Palavras chave: Ultrarromantismo, Álvares de Azevedo, Scheling, Édipo Rei.

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