Programação

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Os convidados e suas apresentações

Prof.ª Dr.ª Juliana Santini (UNESP/Araraquara)

Palestra: A literatura em tempos de cólera

Em janeiro de 1977, Roland Barthes ministra sua aula inaugural no Collège de France, ocasião que marca o momento em que assume a cátedra de Semiologia Literária daquela instituição. Naquele contexto, Barthes profere um de seus textos mais críticos, em que coloca em evidência as relações de poder estruturadas pela própria língua, propondo que a literatura seria a única linguagem capaz de escancarar essas relações e construir um lugar de questionamento e resistência. Uma das afirmações mais polêmicas da Aula de Roland Barthes diz respeito justamente ao papel do ensino de literatura: para ele, se imaginássemos um cenário de barbárie em que as ciências humanas fossem abolidas do contexto escolar e apenas uma disciplina sobrevivesse, esta deveria ser a literatura, capaz de funcionar como ponto de articulação de diferentes saberes e como expressão de uma realidade profunda. Quarenta anos depois dessa proposição, em um cenário de reforma educacional em que as ciências sociais são tomadas como conteúdo doutrinário e correm o risco do cerceamento, interessa questionar não apenas o papel da literatura na escola, mas também, e sobretudo, o modo como atual modelo educacional favorece – ou não – o esvaziamento do potencial crítico e formador do texto literário. A reflexão aqui proposta, partindo das observações de Roland Barthes, pretende suscitar diferentes questionamentos em torno da formação do leitor literário, do ensino de literatura na atual configuração dos atuais Parâmetros Curriculares Nacionais e, de maneira mais ampla, da formação do professor nos atuais cursos de licenciatura e sua perspectiva da literatura na escola.

 

Prof.ª Dr.ª Luciane Baretta (UNICENTRO)

Minicurso: A compreensão leitora nos livros didáticos

Considerando a complexidade e o multifacetado trabalho a ser desenvolvido para a construção de um leitor proficiente e estratégico, papel este que não está limitado apenas ao professor de língua portuguesa, propomo-nos refletir sobre o ensino da compreensão leitora na educação básica. Por meio da análise de questões de compreensão propostas nos livros didáticos de diferentes áreas do conhecimento (língua portuguesa, ciências, matemática, história, dentre outros), é nosso intuito apresentar em que medida os gêneros textuais mais recorrentes nos livros didáticos são acompanhados de tarefas de leitura que preparam o estudante brasileiro para a compreensão eficaz em diferentes níveis de compreensão: informação explícita, implícita e de reflexão e análise.

A Prof.ª Dr.ª Luciane Baretta (UNICENTRO) também é a responsável pela roda de conversa “Possibilidades de Pesquisa em Linguística Aplicada”

 

Prof.ª Dr.ª Vera Lucia Hanna (MACKENZIE)

Palestra: Perspectivas comunicacionais no terceiro milênio: língua, cultura, interculturalidades

Refletir sobre questões comunicacionais no momento atual implica, dentre outras urgências, discutir sobre o imperativo de se conhecer várias línguas. Em relação direta com o efeito das profundas alterações na transmissão de informações nas últimas décadas, entra em pauta o debate a respeito da globalização e de seus correlatos. Daqueles diretamente interessados na educação, exige-se uma tomada de novas e corajosas revisões no sentido de se repensar alguns conceitos estabelecidos sobre a natureza da língua e de como se trabalhar com ela em novas mídias.  A formulação de cultura como modo de vida, prática social,  produção cultural conduz a busca do que se almeja discutir ao se dirigir a atenção para o paralelismo do fator cultural e intercultural no ensino de línguas.

 

Prof.ª Dr.ª Susylene Dias de Araújo (UEMS/Campo Grande)

Minicurso: A estética do minimalismo na literatura brasileira no século XX

De forma equilibrada, o minimalismo, campo da arte iniciado nos anos de 1960 em inovadoras galerias de Nova York, ainda mantém seu caráter instigante. Caracterizado como um movimento instalado no intervalo entre o arcaico e o contemporâneo, o estilo minimal combina o feito-em-série e o feito-à-mão, garantindo ao objeto artístico camadas de simplicidade conceitual, aliadas a complexas possibilidades de percepção. Como resultado do diálogo entre artes visuais e a literatura, também produto de contato intermidial, tal arte caracteriza-se, lato sensu, pela economia de palavras. Os autores minimalistas evitam advérbios e preferem sugerir contextos a ditar significados. Nas letras brasileiras, a composição minimal pode ser constatada já no auge da modernidade dos anos de 1930, fato significativo para nossa proposta, iniciativa que se lança à compreensão dessa arte, partindo da pintura – passando pela escultura –, seus principais objetos, temas e textos, alvos de investida crítica em busca de novas interpretações para formas poéticas que se apresentam no encontro entre diferentes suportes, culturas e mídias. Nossa minicurso  reconhecerá prosadores e poetas adeptos dessa investida, destacando nomes como os de Dalton Trevisan, Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros, Flora Thomé, entre outros que estejam inseridos no recorte historiográfico escolhido, além de artistas que se dedicaram a arte minimal no campo das artes plásticas e da escultura, tais como Luiz Hermano e Vik Muniz.

 

Prof. Dr. Ramiro Giroldo (UFMS/FAALC)

Minicurso: Sistema(s) literário(s) e ficção científica brasileira

O minicurso oferece rudimentos para a elaboração de uma historiografia da ficção científica literária produzida no Brasil, esboçando uma trajetória que remonta ao século XIX e chega à contemporaneidade. O interesse é discutir se os textos do gênero podem ser pensados por meio da contraposição entre “manifestação literária” e “literatura”. Formulada por Antonio Candido, tal contraposição indica que apenas constitui literatura propriamente dita a expressão integrada ao sistema literário e, assim, capaz de atuar socioculturalmente. No caso das obras de ficção científica brasileiras, embora se tratem de manifestações literárias aparentemente isoladas, em diversos momentos são observadas tentativas de articulação entre leitores e autores, com o interesse declarado de fomentar a produção brasileira do gênero. O minicurso orbita, dessa forma, a seguinte questão: a ficção científica brasileira constitui uma espécie de sistema literário outro, à margem do institucionalizado e interessado em buscar estratégias próprias para se firmar?